
Mindfulness, pra mim? Sim.
Muitas vezes, temos resistência a essa prática, imaginado que se aplica apenas a pessoas “calmas”, “zen” ou a pessoas dispostas a passar vários minutos ou horas paradas em uma mesma posição meditando.
Também muitas vezes pensamos que é difícil, quiçá impossível, pois os nossos pensamentos não param e eu não vou conseguir me concentrar ou meditar.
Ah, também tem uma questão central de “não é uma prática prazerosa que desperta meu interesse ou satisfação”. Pois bem, o mindfulness não é exclusividade das pessoas “zen”, nem muito menos uma prática religiosa (embora seja bastante comum em algumas religiões). A atenção plena, tradução ao termo midfulness, é uma prática de atenção ao aqui agora, atenção à onde você está, com quem você está; é atenção a você, ao que acontece dentro de você, a suas experiências internas, como pensamentos, sentimentos, lembranças, reações fisiológicas (as vezes chamamos as reações fisiológicas de sensações espalhadas pelo corpo). Sim, e pra que eu vou prestar atenção a isso? Bom, quando eu consigo estar mindful, quando eu estou atenta ao presente momento, eu posso melhorar a minha concentração, pois eu perceberei que a minha mente voou para longe de onde estou e, assim que eu percebo isto, eu aterrizo no agora.
Porque essa prática pode ser útil ao dormir, que, ao invés de alimentar todas as preocupações, você vai notar os seus pensamentos, notar a sua respiração, e é provável que isto te ajude a se desligar do fluxo acelerado que há dentro de você e relaxar, e a adormecer.
Sim, e ao perceber as nossas experiências internas que são desconfortáveis, podemos nota-las, abrir espaço para senti-las e decidir como reagir. Isto pode contribuir significativamente na construção de novos comportamentos, pois ajuda a “desligar o botão do piloto automático”.
Por exemplo, imagina quando você tem uma raiva. Você só quer colocar essa raiva para fora e, com o botão do automático acionado, provavelmente você vai expressá-la de modo que vai se arrepender depois. Você não vai observar que neste exato momento, além da raiva, vem rapidamente outros pensamentos e lembranças que intensificam este sentimento e, para surpresa de ninguém, você se comporta da mesma forma de sempre e obtém o mesmo resultado. Estando atento, você pode sentir a raiva e decidir por um comportamento mais útil. Sair do automático. Se conectar com os seus valores. Assumir a direção que te aproxima do caminho que você quer seguir.
E, ainda bem, que nem só de desconforto vivemos, não é? Então estar atento também as boas lembranças, bons sentimentos e abrir espaço para essas experiências internas também nos ajuda, e muito, a se conectar com o que é valioso para nós e apreciarmos o quão significativo é viver.
Ah, e antes que eu esqueça. Você não precisa passar muitos minutos ou horas, dez minutos já traz bons resultados… E pode ser feito em casa, no trabalho, na praia, caminhando… Em qualquer lugar e a qualquer momento que faça sentido dentro do contexto.
Atenção: mindfulness requer prática. É um exercício. E está tudo bem se não der certo todas as vezes.
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